Material recolhido será transformado em novos produtos e também garantiu renda para catadores e cooperados envolvidos na operação durante a folia

Redação Mais – Cerca de 280 toneladas de resíduos recicláveis coletados durante o Carnaval de Salvador 2026 já foram encaminhadas para indústrias de reciclagem. O material recolhido será transformado em novos produtos e também garantiu renda para catadores e cooperados envolvidos na operação durante a folia.
Do total contabilizado, 182.643,53 kg foram recolhidos nas centrais de reciclagem instaladas nos circuitos da festa. Os camarotes reuniram 84.525,80 kg de materiais recicláveis e a ação “Plástico é Vida” coletou outros 12.590 kg.

Entre os principais resíduos recolhidos estão latinhas de alumínio, garrafas plásticas, papelão e outros tipos de plástico. Após a triagem feita pelas cooperativas, os materiais seguem para a indústria de reciclagem. O alumínio das latas, por exemplo, pode retornar ao mercado como novas embalagens em um curto período, enquanto o plástico pode ser transformado em novos recipientes, fibras para tecidos, peças industriais e outros produtos.
De acordo com o chefe de Assessoria Estratégica de Gestão da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), Thiago Figueiredo, a atuação durante o Carnaval ocorreu em três frentes principais: a obrigatoriedade de camarotes contratarem cooperativas para realizar triagem e coleta seletiva interna, a instalação de centrais de reciclagem como pontos de apoio aos catadores e a ação “Plástico é Vida”.
Segundo ele, o reforço das estruturas contribuiu para ampliar o volume de materiais coletados neste ano. “Esse reforço e a ampliação das centrais fizeram com que saíssemos de uma coleta de 225 toneladas no Carnaval de 2025 e de 227 toneladas em 2024 para aproximadamente 280 toneladas neste Carnaval de 2026″, disse.

Thiago também destacou que todo o material recolhido é encaminhado para cooperativas, responsáveis pela triagem e comercialização junto às indústrias recicladoras.
“Com isso, além de gerar renda para os catadores autônomos, especialmente nas centrais de reciclagem, com a compra dos materiais, também garantimos renda às cooperativas e aos catadores e catadoras cooperativados. A venda de materiais gera recursos que são distribuídos entre os trabalhadores e contribui para melhorar não apenas a estrutura social, mas também as condições de trabalho das cooperativas”, explicou.

Oportunidade – Para os trabalhadores da reciclagem, o Carnaval representa uma das principais oportunidades de renda do ano. A Cooperativa CRUN, localizada no bairro de Nazaré, recolheu cerca de 21 toneladas de materiais durante a festa. Segundo o presidente da instituição, Cristiano Alves, a atuação dos catadores contribui para reduzir impactos ambientais.
“Uma das principais importâncias desse trabalho, além da questão ambiental, é evitar que esses materiais fiquem espalhados nas ruas e acabem indo parar nos mares, contaminando ainda mais o meio ambiente. Os catadores e as catadoras realizam um trabalho essencial durante o Carnaval, retirando esses resíduos do ambiente”, contou.
Outra cooperativa que participou da coleta foi a Bariri, no Engenho Velho de Brotas, que também arrecadou mais de 20 toneladas de materiais recicláveis durante o Carnaval. O presidente da cooperativa, Elias Júnior, afirmou que neste ano foi possível ampliar o valor pago aos catadores após uma negociação direta com a indústria de alumínio. “O principal destino do material reciclado neste ano, em especial, foi resultado de uma parceria direta com a fábrica. A lata, por exemplo, foi direta para a indústria. Cortamos todos os atravessadores. Antes, vendíamos para um intermediário, que repassava para outro, até chegar à fábrica. Neste ano conseguimos pagar melhor ao catador, trazendo o preço diretamente da indústria para a mão do trabalhador”, disse Elias.
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