Candidato a presidente teve menos de 30% dos votos na Bahia; quase 2,5 milhões de eleitores que apertaram o 22 no estado

Por Wagner Ferreira – Entre os eleitores bolsonaristas, o candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União) errou ao não declarar apoio a Flávio Bolsonaro. A estratégia foi usada na última disputa de Neto ao governo, em 2022, e também não deu certo.
Na Bahia, Flávio obteve 28,53% dos votos válidos, um total de 2.442.585 eleitores que escolheram o filho do ex-presidente Bolsonaro para suceder o pai. Quanto ao presidente Lula, este já esteve melhor. Ainda assim, 66,17% apertaram o 13 (5.664.771 votos). Nas eleições de 2022, Lula obteve 67% dos votos no 1º turno na Bahia contra 24% de Jair Bolsonaro. Naquele ano, o capitão só venceu em dois municípios baianos: Luís Eduardo Magalhães (54,02%) e Buerarema (53,37%).
Diante desses números – que o staff de Neto já tinha conhecimento – declarar apoio à direita traria mais prejuízos do que lucro. Em entrevistas, ACM Neto sempre declarou apoio a outro presidenciável, Ronaldo Caiado. Mesmo depois de o ex-governador de Goiás trocar o União Brasil pelo PSD, Neto, confortavelmente, reafirmava apoiar Caiado, mas na prática a lógica foi outra. O palanque era explorado mais à favor do candidato bolsonarista do que fielmente ao “amigo Caiado”. Incumbido da missão, o pernambucano e candidato ao Senado pela Bahia, João Roma (PL).
Roma não conseguiu se eleger. Ele ficou em 4º lugar ao obter 9,97% dos votos válidos, um total 2.879.443 eleitores. Já a esposa, Roberta Roma, candidata à reeleição para deputada federal, logrou êxito, mesmo depois de sofrer um infarto na reta final da campanha, o que a deixou alguns dias internada em um hospital de Salvador.
Com isso, a campanha de ACM Neto tocou um música com duas notas: Roma trabalhava pra si próprio, Flávio e Neto, que focava as críticas ao governador, hoje reeleito, Jerônimo Rodrigues (PT) e evitava ataques diretos a Lula, ainda muito forte no nordeste, mesmo depois de ter perdido cerca de 5% dos seus votos em todo país, segundo especialistas.
Do ponto de vista dos números em desfavor do bolsonarismo na Bahia, Neto acertou em “se fingir de morto” quanto a declarar apoio a Flávio ou Lula, o que fez ele ter muitos votos de eleitores que também votaram no presidente.
Por outro lado, bolsonaristas cobravam posicionamento de Neto em favor do “mito”. A cobrança virou ressentimento. Dessa forma, resta saber quantos eleitores de Flávio, que votariam no candidato do União Brasil foram às urnas, mas anularam o voto para punir ACM Neto.
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