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Da Trilogia do método Arte com a Matemática

Dificuldades severas históricas em operações básicas; a ineficiência ensino-aprendizagem como reprodução de desigualdades

Por Liliana Peixinho O Que É Que a Matemática Tem?”, palestra do recorte do mais recente livro “Como Dois & Dois, do Professor-Doutor, Marcio Luís Ferreira Nascimento, são trabalhos apresentados ao público como instrumentos de informação para desmistificar a matemática como “bicho papão” do aprendizado. E, o uso da arte, pelo professor Marcio, é método, é ponte, entre teoria e prática.

Dia 16 de setembro, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, a palestra “O que é que a Matemática tem”, do professor Márcio Luis Ferreira Nascimento, ancora seu método de ensino de Matemática à cultura local. “Como dois e dois” é o terceiro livro, de uma trilogia iniciada com “Et cetera: Engenharia, Tecnologia e Ciência (2018); continuada com “Engenho, Arte e Matemática (2023); e reforçada, agora, com o recém publicado “Como Dois & Dois”.

A arte como método

A conexão entre arte e matemática tem uma busca coerente através, por exemplo, de vínculos às culturas locais. Misturar Bahia-Matemática-Samba é propósito de aproximação entre teoria e prática, entre conhecimento acadêmico e absorção de informações. O professor Marcio Luis aplica a arte na matemática de forma transversal ao aprendizado quando, por exemplo, valoriza uma canção de Dorival Caymmi “O Que É Que A Baiana Tem?”, cantada por Carmen Miranda, com outra canção, de Caetano Veloso “Como Dois e Dois São Cinco” e usa a cultura baiana como porta de entrada para conceitos como fração, MMC, matrizes. É o que ele chama de “misteriosa eficácia da matemática a partir de relações insuspeitas com a cultura”.

Coerência criativa Como professor, pesquisador e divulgador científico, a marca registrada dos trabalhos de Marcio Luis Ferreira Nascimento é a desmistificação, como método. E o berço tem vínculo no convívio profundo com o seu Mestre, professor Luiz Barco, autor da citação: “matemática não foi feita para chatear ninguém”. Com essa tese, o professor apresenta, em seu currículo Lattes, diversos projetos de extensão como “Arte & Matemática” desde 2001, em parceria com MEC/TV Escola/TV Cultura.
Com criatividade didática usa o lema: “decifra-me a qualquer hora”, não “decifra-me ou te devoro”, onde a razão, da matemática; e a emoção, da arte, se unem, em coerência criativa facilitadora de absorção lúdica de conhecimento .

Ineficiência ensino aprendizagem

Como encontrar soluções para problemas sérios onde dados retratam que 95% dos nossos jovens têm dificuldade em aprender matemática? E como a arte pode ajudar?

Os dados do Saeb e do Ideb, divulgados em agosto de 2025 pelo INEP/MEC, nos deixaram um recado duro. A Bahia avançou. No 5º ano, saímos de 209,18 para 217,02 pontos em Matemática. No 9º ano, de 242,68 para 247,35. Mas no 3º ano do Ensino Médio, onde se decide o futuro, fomos de 260,13 para 260,89. Quase nada. Estagnação. Pior: somos o último lugar do Brasil em aprendizagem de matemática no Ensino Médio. Um levantamento recente mostra que 95,84% dos nossos estudantes do 3º ano estão nos níveis iniciais de proficiência. Não é que eles não saibam cálculo. Eles têm dificuldade severa em operações básicas.

Desigualdades reproduzidas Como chegamos aqui? Sem dúvida, também, por reproduzirmos desigualdades sociais. A pesquisa mostra dois fatores que pesam mais que a escola: a escolaridade da mãe e a entrada precoce no mercado de trabalho. A matemática não é chata. Ela é distanciada da vida real do aluno através de métodos de ensino ineficientes.

Físico de formação, mestre em Física e doutor em Ciência e Tecnologia dos Materiais, professor Titular da Escola Politécnica da Ufba, no Departamento de Engenharia Química, a linha central do professor Marcio Luis não se resume aos estudos e pesquisas só de materiais, ele atua, também, na divulgação científica com arte, em compromisso com a democratização do acesso a informação.

Caminho de mudança A palestra do professor Marcio Luis Ferreira Nascimento, no próximo dia 16 de setembro, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, com o tema “O Que É Que a Matemática Tem?”, é proposta, caminho de mudança, abraçado no Projeto Aprendendo e Ensinando no Café, coordenado pelos professores Caiuby Alves da Costa e Lúcia Góes.

Democracia e acesso a informações

O professor titular da Escola Politécnica da Ufba, físico, doutor em Ciência e Tecnologia e membro da Academia de Ciências da Bahia, propõe o que ele pratica desde 2001, no projeto Arte & Matemática: ensinar fração no surdo do samba, ensinar MMC na levada, ensinar matriz na coreografia.
Como disse o educador Luiz Barco, a matemática não foi feita para chatear ninguém. Criança não aprende com discurso. Ela aprende com o exemplo real. O professor Marcio sabe disso. A criança, adolescente, jovem, não vai aprender matemática com medo da esfinge que diz “decifra-me ou te devoro”. Ela vai aprender quando a matemática disser “decifra-me a qualquer hora, no seu ritmo, no seu samba”.

Serviço:

O IGHB-Instituto Geográfico e Histórico da Bahia fica na Avenida Joana Angélica, 43, Piedade, em Salvador. O horário da palestra, 16h, contempla dificuldades de deslocamento. A entrada é livre, cidadã.

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  • Liliana Peixinho – Jornalista, ativista humanitária, pesquisadora independente. Autora de trabalhos permanentes e itinerantes como “Imersões Jornalísticas em campo minado de desafios”.
    Especialização em Jornalismo Científico, Cultura e Ambiente- Ufba-Proativismo Jornalístico Socioambiental X Discurso Marketeiro Insustentável-
    Greenwhashing” -2010-2012.
    Comunicação e Novas Tecnologias.
    Mídia, Meio Ambiente e Responsabilidade Social.
    MBA em Hotelaria e Turismo Sustentável.
    Fundadora de mídias independentes: Movimento AMA-Amigos do Ambiente, Mídia Orgânica, Reaja- Rede Ativista de Jornalismo e Ambiente- Catadora de Sonhos, Cuidar de quem cuidou, Rama – Rede de Articulação e Mobilização Ambiental, O outro no eu.
    Membro de redes como RBJA- Rede Brasileira de Jornalistas Ambientais- RBJC, Rebia. Colaboradora de Mídias Brasil afora como: Envolverde, Colabora, Plurale. Correspondente-BA Folha do Meio Ambiente, entre outras. Membro da equipe fundadora da Academia de Letras – Aclasb – Senhor do Bonfim anos 90.

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