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Memória apagada: Governo da Bahia põe a baixo palacete do Clube Cruz Vermelha para dar espaço a estação do metrô

Imóvel do Século 19 foi o primeiro clube carnavalesco de Salvador; atualmente abrigava a Fundação João Fernandes da Cunha

(Reprodução)

Por Wagner Ferreira O palacete do antigo Clube da Cruz Vermelha, em Salvador, foi demolido esta semana para que no local seja construída uma estação do metrô no bairro do Campo Grande, no centro da capital baiana.

Apesar de não ser tombado, havia a esperança de o casarão ser poupado devido a sua beleza arquitetônica, que dialogava com outros imóveis locais do Século 19.

Ao fazer o anúncio da demolição pelas suas redes sociais, o senador Rui Costa (PT) comemorou a ação;

Mas os comentários de insatisfação pela não preservação foram muitos: “Pq não preservou o casarão? Perdeu uma grande oportunidade de fazer a estação mais charmosa, só não creio que vai subir uma estação de arquitetura similar às demais”, disse um internauta.

“O senhor viaja pelo mundo fotografando imóveis históricos, mas não preserva os que tem na sua própria cidade”, comentou outro cidadão.

Oposição – Em fevereiro, o vereador Téo Senna (PSDB) criticou a forma como o governo estadual conduzia o processo de desapropriação do prédio da Fundação João Fernandes da Cunha. Segundo o parlamentar, a instituição cultural foi surpreendida pela notícia da demolição da sede por meio da imprensa, sem qualquer notificação oficial ou diálogo prévio.

A fundação abrigava uma biblioteca com mais de 18 mil livros e recebia estudantes das redes pública e privada além de promover eventos culturais e acolher entidades como a Academia Baiana de Educação (ABE) e o Grupo de Ação Cultural da Bahia (GACBA). “Modernizar não significa demolir a história. Isso não é apenas uma questão urbanística. Isso é uma questão de respeito. A Bahia não pode ser governada por decreto de surpresa. Eu, como vereador, professor e cidadão, não vou me calar diante de um governo que trata a história como entulho”, afirmou o vereador ao destacar o papel histórico e educacional da instituição para a capital baiana.

O imóvel destruído foi o primeiro clube carnavalesco de Salvador: o Clube da Cruz Vermelha, fundado em 1883 por jovens da elite baiana. Atualmente, sua antiga sede histórica (um casarão em frente à Praça Dois de Julho, no Campo Grande) abrigava a Fundação João Fernandes da Cunha.

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