Tão logo encerrado o período carnavalesco, as festas juninas começam a preencher o calendário festivo, nordeste, interior adentro

Por Liliana Peixinho – Na Bahia, festa é cultura de vida, motivação de existência, movimento que alimenta saídas para problemas de falta de renda. Tão logo encerrado o período carnavalesco, as festas juninas começam a preencher o calendário festivo, nordeste, interior adentro.
Ao longo do tempo, nos últimos 30, 40 anos, a programação foi sendo diversificada, modificada e até descaracterizada. O São João raíz, com tradições familiares de portas de casas abertas, fogueiras nas calçadas, apresentações de artistas nas ruas, palcos de praças, deram lugar a mega eventos, montados em estruturas gigantes, com o público distante, e corpos em outras danças diferentes do arrasta-pé.

Para retratar esse cenário de festa potente em tradição, fui buscar o trabalho do escritor, poeta, educador e membro da Academia de Letras e Artes de Senhor do Bonfim, Mestre João Carrilho, onde, na trova poema-canção “Arrasta-pé em Senhor do Bonfim”, o autor descreve o tempo/espaço de um povo que ele chama de FFF- Festeiro, Forte, Feliz. Forrozeiros de valor histórico como Luiz Gonzaga e Dominguinhos, por exemplo, iriam amar fazer os arranjos musicais nas trovas para embalar os arraiás na alegria e harmonia de acordes sanfoneiros.
A prosa-poema do Mestre João Carrilho traduz memórias culturais potentes de uma cultura que promove a história de cidades nordestinas, como Senhor do Bonfim.

Arrasta-pé em Senhor do Bonfim
Olha o fole puxando… segura o pé no chão!
É São João em Bonfim, meu povo!
É São João em Senhor do Bonfim,
Essa festa bonita não é só pra mim,
Vem meu povo sorrindo, alegria sem fim,
Coração tá batendo no compasso do forró assim.
Tem canjica, pamonha e amendoim,
Tem cerveja gelada pra brindar até o fim,
É cultura, é fé que não vai se apagar,
É o povo de Bonfim que nasceu pra festejar!
Se achegue, minha gente, vem arrastar o pé,
Que a sanfona já chama, vem dançar no balancê!
A vida é ligeira, num dá pra esperar,
É hoje que a gente bebe e começa a cantar!
O São João que eu trago guardado em mim,
Tem cheiro de milho assado no capim,
Pamonha, licor, quentão na mão,
E uma prosa boa esquentando o coração.
Tem fogueira acesa clareando o olhar,
Tem cantiga antiga pra gente lembrar,
Quem gosta de farra já chegou por aqui,
Hoje ninguém fica parado em Bonfim!

Se achegue, minha gente, vem arrastar o pé,
Que a zabumba bate forte e o triângulo não erra,
A vida é ligeira, num dá pra esperar,
É hoje que a gente vive pra comemorar!
(Ponte)
Bota pra tocar Flávio Leandro no coração,
E também Luis Gonzaga na recordação,
Que o verdadeiro São João não morreu não,
Tá vivo na cultura e na palma da mão!
Se achegue minha gente, chegou a hora de brindar,
Em Senhor do Bonfim ninguém vai se aperrear,
Essa festa bonita só tá começando, meu bem…
Arrasta o pé que o forró não para, amém!
João Carrilho (autor)

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- Liliana Peixinho – Jornalista.
Especialização em Jornalismo Científico e Tecnológico; Mídia, Meio Ambiente, Responsabilidade Social; MBA em Hotelaria e Turismo Sustentável. Ativista direitos humanos.
Fundadora de mídias independentes: Movimento AMA- Amigos do Meio Ambiente, Mídia Orgânica, Reaja, Catadora de Sonhos, Cuidar de quem cuidou, Rama- Rede de Articulação e Mobilização Ambiental, O outro no eu.
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