Segundo decisão liminar, candidata do Missão à Câmara dos Deputados, fez postagens descontextualizadas onde associa rival do PT e neta de Carlos Marighela a roubos a bancos e sequestros

Por Wagner Ferreira – As edições em vídeos curtos para as redes sociais, chamadas atualmente de “cortes” – linguajar usado nas redes sociais – têm dado trabalho para a Justiça. No contexto destas eleições, falas e imagens são tiradas de contexto com o intuito de criar narrativas em desfavor do adversário. Foi o que entendeu o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) ao determinar que a candidata do Missão a deputada federal, Quécia Reis, retire das suas redes sociais postagens onde associa a candidata ao mesmo cargo, Maria Marighella (PT) a sequestros e roubos a banco.
Para o desembargador, Gustavo Teles Veras Nunes, as publicações ultrapassam “a margem da crítica contundente e ingressa no campo da propaganda eleitoral irregular negativa mediante ofensa à honra, difamação e grave manipulação de conteúdo”.

Ainda segundo a decisão de caráter liminar, publicada no domingo (6) “a postagem combina recursos de edição e sobreposição visual — inserindo a inscrição pejorativa ‘Perigosa para Bahia’ diretamente sobre o rosto da candidata — com a exibição de manchete de jornal de época acerca de crimes praticados na década de 1960, induzindo o eleitorado a crer que a representante seria pessoalmente vinculada a atos de terrorismo ou que sua candidatura representaria a continuidade de ações criminosas, culminando com expressa conclamação para que os cidadãos não votem nela”.
Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 1.000,00. Procurada, a candidata Quécia Reis promete recorrer.
O guerrilheiro – Carlos Marighela foi um político, escritor e guerrilheiro comunista marxista-leninista brasileiro nascido em Salvador no ano de 1911. Ele é considerado um dos principais organizadores da luta armada contra a ditadura militar brasileira (1964–1985) e chegou a ser considerado o inimigo “número um” do regime. Foi cofundador da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização de caráter revolucionário. Em novembro de 1969, foi morto em São Paulo, aos 57 anos, por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) durante uma emboscada.
Maria Marighella, sua neta, elegeu-se em 2020 para o cargo de vereadora de Salvador e disputa, este ano, uma vaga para a Câmara dos Deputados.
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