Dor ao subir escadas, incômodo depois de caminhar ou a sensação de que o joelho não acompanha mais o ritmo do corpo indicam problemas com a cartilagem

Redação Mais – Dor frequente, inchaço, sensação de falseio e até um rangido semelhante à presença de areia dentro do joelho podem ser sinais de desgaste da cartilagem, condição que afeta a mobilidade e a qualidade de vida de milhões de pessoas. Embora ainda não exista uma forma de regenerar completamente esse tecido, avanços na medicina têm permitido controlar a progressão do problema e aliviar os sintomas.
Segundo o Dr. Caio D’Elia, ortopedista do Vita Ortopedia e Fisioterapia do Grupo Fleury, alguns cuidados podem ajudar a evitar o problema de desgaste da cartilagem: o controle do peso corporal, incluindo uma boa musculatura para proteção articular, e o cuidado com atividades físicas que envolvam impactos. “Seja a musculação, o levantamento de peso olímpico adaptado, o treinamento funcional. Todos são métodos em que é possível, por meio de uma sobrecarga externa, estimular a melhora da condição muscular e consequentemente sua proteção”, aponta.
Já os pacientes que apresentam algum nível de desgaste, o especialista ressalta a importância de administrar a prática de atividades físicas de alta intensidade, principalmente as que envolvem impacto, para evitar a progressão.
“Não existem procedimentos capazes de bloquear de forma definitiva a progressão do desgaste articular. O que existe são técnicas de reparo da cartilagem indicadas para pacientes que apresentam lesões condrais focais, seja de origem pós-traumática, seja de origem degenerativa. Por meio de diferentes técnicas cirúrgicas, é possível estimular a formação de um tecido semelhante à cartilagem nativa, conhecido como fibrocartilagem. Esse tecido pode apresentar maior ou menor concentração de condrócitos, o que influencia diretamente suas propriedades mecânicas e sua durabilidade. De modo geral, embora a fibrocartilagem possa proporcionar melhora clínica significativa e contribuir para a restauração da superfície articular, ela apresenta resistência e qualidade biomecânica inferiores às da cartilagem hialina nativa”, esclarece o especialista.
O médico também explica que, entre os procedimentos disponíveis, estão os transplantes de cartilagem – que podem ser autólogos (quando o paciente é o próprio doador) ou alogênicos (quando a doação é feita por outra pessoa) e os procedimentos em que se infiltra plasma rico em plaquetas, derivados de sangue ou gordura que contém células-tronco. “Todos eles, no entanto, como já esclarecido, a função é melhorar o sintoma. Não é possível, de fato, regenerar a cartilagem”, informa.
O profissional de saúde destaca que pesquisas em andamento podem indicar um futuro promissor para a regeneração na articulação do joelho. “A mais recente está sendo desenvolvida na Universidade de Stanford, localizada na Califórnia, nos Estados Unidos, onde se descobriu uma substância que consegue, sim, quando injetada na musculação do joelho, regenerar a articulação. Ainda está na fase experimental de estudos com camundongos, mas parece ser esse o caminho”, conclui o médico.
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