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Meu filho tinha 14 anos. Hoje, completaria 15

Por Sanjaya Mayan – No dia 30 de março de 2025, dia em que o perdi, ele foi levado pelo pai à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que atende aos bairros de Santo Inácio/Pirajá, em Salvador, por ser o serviço de saúde mais próximo de onde ele estava, mesmo possuindo plano de saúde. Quando cheguei à unidade, encontrei meu filho desacordado havia mais de 40 minutos.

Ele estava na sala vermelha, porém sem monitorização, sem via aérea protegida, sem exames realizados, sem definição diagnóstica e sem acionamento imediato da regulação ou transferência para um hospital com suporte adequado.

Meu filho havia apresentado uma síncope e, em seguida, uma convulsão, permanecendo inconsciente desde então. Diante de um quadro neurológico grave como esse, em vez de uma abordagem técnica imediata, fui questionada sobre qual droga ele usava. Ouvir isso, naquele momento, foi profundamente doloroso, revoltante e desumanizador.

Somente após eu me posicionar de forma firme e me identificar como enfermeira, a equipe iniciou a intubação e passou a acionar a ambulância e a regulação para transferência. Até então, meu filho permaneceu por um tempo significativo sem oxigenação adequada, o que comprometeu de forma irreversível seu estado neurológico.

O desfecho foi a morte encefálica.

Posteriormente, identificou-se que ele possuía uma Malformação Arteriovenosa (MAV). Ainda assim, afirmo com convicção técnica e materna: com atendimento adequado, oportuno e responsável, meu filho poderia estar vivo. Patologias de base não justificam omissão, atraso, julgamento ou negligência.

O que aconteceu não foi apenas uma fatalidade. Foi uma sequência de falhas graves, de desumanização e de negligência assistencial. Nada apaga o fato de que as condutas só mudaram quando me identifiquei como profissional de saúde — algo que jamais deveria ser necessário para que um adolescente recebesse atendimento digno.

Escrevo este relato como mãe, dilacerada pela perda mais irreparável que existe, e como profissional, consciente de que o silêncio perpetua erros.
Meu filho tinha nome. Tinha sonhos. Tinha futuro.
Ele não era um número. Nem uma suposição.

Que este relato sirva para que outras famílias não precisem viver a dor que eu vivo hoje.
Que nenhuma mãe precise implorar por cuidado.
E que nenhuma criança ou adolescente perca a vida por negligência.

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